quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma década do maior fiasco do automobilismo brasileiro

“Hoje não, hoje não! Hoje sim! Hoje sim?!”

Cléber Machado jamais descreveu e jamais transmitirá gol algum capaz de ser mais marcante do que a antológica e broxante narração acima.

Neste sábado completará dez anos que o automobilismo brasileiro passou por uma vergonha que, se não é a maior desse esporte, certamente está marcada na história. No dia 12 de maio de 2002, durante o GP da Áustria de Formula 1, Rubens Barrichello submeteu-se ao jogo de equipe da Ferrari e entregou a corrida ao seu companheiro de escuderia, Michael Schumacher, a poucos metros da linha de chegada.

Barrichello liderava a corrida a oito voltas do final quando recebeu ordens pelo rádio para que diminuísse o ritmo, possibilitando ao piloto alemão a ultrapassagem e a consequente vitória na sexta etapa do campeonato daquele ano. Porém, o "presente" a Schumacher só foi entregue após a última curva, a menos de 50 metros do final. A estratégia visava naquele momento ampliar a liderança do alemão no mundial de pilotos (encerrou a corrida com 54 pontos, o dobro do segundo colocado, Juan Pablo Montoya) e consolidar a Ferrari na ponta do mundial de construtores (após o GP da Hungria, 66 pontos para a escuderia vermelha e 50 para a rival Williams). Desnecessário, já que Schumacher havia vencido quatro das cinco primeiras provas e ao final da temporada conquistaria o título com 144 pontos, quase o dobro dos 77 pontos do vice-campeão Barrichello.

Assista - e envergonhe-se - com a última volta
do GP da Áustria e o pódio.


Hoje, uma década após o fiasco, o brasileiro segue dando explicações e tentando justificar o injustificável. "Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar", disse Barrichello em entrevista à edição da revista Playboy deste mês.

Getty Images
A decepção foi tão grande naquele GP que os dois pilotos da Ferrari foram vaiados no pódio. Constrangido, Schumacher cedeu seu troféu e o lugar no topo ao colega que entregou a corrida. Pressionada pelo descrédito da Formula 1 perante seus fãs, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) viria depois a alterar as regras para tentar coibir o jogo de equipe.

Não adiantou muita coisa. Embora nunca mais tenha ocorrido incidente tão ridículo quanto aquele protagonizado pela dupla da Ferrari, os torcedores passaram a desconfiar de tudo e a manipulação dos resultados pelas equipes tornou-se praticamente oficial.

Ferrari e Schumacher são atores desse fracasso do esporte. Porém, coadjuvantes. A estrela maior desse episódio lamentável é o subserviente Rubens Barrichello. Poderia hoje ser lembrado como o piloto que bateu no peito e encarou a poderosa escuderia italiana. Isso se tivesse uma ponta de brios e ambição por conquistas – e não pelo gordo salário.

Mas não. Ao invés disso, saiu da Formula 1 pelos fundos, marcado apenas como o sujeito que em 19 anos na categoria teve a oportunidade de guiar o melhor carro por anos e tudo o que fez foi guardar lugar para os títulos de Schumacher. Fica na história por um fiasco. E dos grandes.



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terça-feira, 8 de maio de 2012

Flashes de programação

Houve um tempo em que a televisão era feita de programas e os comerciais eram apenas intervalos curtos entre um bloco e outro das atrações. Hoje não é mais assim, virou o contrário.

Nem percebemos, mas a inversão da lógica foi ocorrendo aos poucos - e continua acontecendo -, tanto que agora raras são as chances de se assistir algo na TV sem a contaminação da publicidade.

Qualquer programa tem um "merchan" infiltrado. Uns mais descarados, onde o apresentador interrompe até mesmo uma notícia trágica para anunciar que nos próximos cinco minutos ("tem que ligar agora!") a sensacional Tekpix vai sair com 80% de desconto, outros mais discretos, aparecendo no cenário ou no fundo de uma cena um enorme logotipo daquele banco que te liga toda semana oferecendo cartão de crédito.

Junte-se a isso os intervalos comerciais cada vez mais longos, em que os tradicionais dois minutos de alguns anos atrás se transformaram em eternos quatro ou cinco minutos, e o resultado disso é que praticamente todo o tempo em frente à TV somos obrigados a engolir uma propaganda.

Para piorar, agora o SBT lançou mão de um expediente que, tomara, não pode virar moda. Durante algum dos programas da emissora, pisca repentinamente na tela uma chamada para outra atração. Coisa rápida, menos de um segundo. Mas o suficiente para chamar a atenção e absorver a marca. O canal do Senor Abravanel está fazendo isso para promover a nova versão da novela infanto-juvenil Carrossel (veja no vídeo abaixo como funciona o anúncio).


Ou seja, a inserção de propagandas na programação está sem controle. E não é só nos canais abertos, na TV paga é bem parecido, já que os programas são cada vez mais curtos e os comerciais entre eles cada vez maiores. Um seriado de uma hora, por exemplo, tem em média 40 minutos apenas. Os 20 minutos restantes são dedicados aos patrocinadores. Ou seja, 1/3 do tempo no sofá temos que aguentar publicidade. Um exagero, convenhamos.

Do jeito que vai, qualquer dia ligaremos a TV e teremos flashes de programação entre um comercial e outro. E acho que isso não está longe.

terça-feira, 1 de maio de 2012

18 anos sem Formula 1

1º de Maio de 1994, 13h42. Quem estava em frente à TV naquele domingo nunca vai esquecer.

Há 18 anos morria Ayrton Senna, três vezes campeão mundial de Formula 1 e maior ídolo do esporte brasileiro na era pós-Pelé. Na curva Tamburello - esse nome jamais sairá da cabeça - no circuito de Ímola, na Itália, Senna bateu sua Williams a 300 Km/h.

Em dez anos de Formula 1, disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 62 pole positions. Foi o herói de um país inteiro em tempos difíceis, quando a miséria, o desemprego e a inflação absurda sufocavam a auto-estima dos brasileiros. E nesse cenário, Senna era a imagem de um Brasil vencedor, de um Brasil que dava certo.

Getty Images
Senna no pódio após a memorável vitória em Interlagos em 1991. Com apenas duas marchas da MacLaren funcionando, levou o carro até o final e conquistou sua primeira vitória no Brasil.







Com a sua morte, o país parou. Difícil conhecer alguém que não passou aquele domingo e os dias que se seguiram com a sensação de luto, como se tivesse perdido um grande amigo.

Desde o 1º de Maio de 1994, os domingos dos brasileiros não foram mais os mesmos. Poucos são aqueles que continuam tendo o prazer de ficar duas horas em frente à televisão acompanhando um grande prêmio.

Até porque, grandes pilotos apareceram após a morte de Senna e outros aparecerão. Os recordes foram batidos. Mas o que importava em Senna não eram seus números. Ele foi muito mais do que isso. Algo difícil de explicar.

Só quem é capaz de se emocionar assistindo as imagens das suas vitórias e derrotas entende.

Sem Senna, a Formula 1 jamais foi e jamais será o mesmo esporte. Pelo menos para os brasileiros.

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sexta-feira, 27 de abril de 2012

FutCétera: Copa Ubarrarrá!

Não sei se todo mundo já ouviu essa expressão, mas lá pros lados de Pinheiro Machado e demais cidades da região da Campanha, costuma-se usar o "ubarrarrá!" - assim mesmo, exclamativo - quando alguma coisa é feita sem pensar, aos trancos e barrancos. A Libertadores, de forma geral, é mais ou menos assim, feita e jogada no ubarrarrá.

A promoção do torneio é amadorística demais. Não precisa tão cheia de frescuras quanto uma Champions League, mas um pouco de capricho e organização não fariam mal à principal competição de clubes do continente americano. Só que isso é história pra outro texto.

O que importa agora é o jeito que os times jogam a Libertadores. Tá cheio de teórico do futebol explicando que o Fulano joga no 4-2-3-1, ou no 4-4-2 com "wingers" e o cacete. Mas de quê adianta tudo isso se, no final das contas, o que se vê na maioria dos jogos é a tática do ubarrarrá?!

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Novo (sub) blog

Se por acaso ainda não deu pra perceber, aí no topo do blog agora tem um link para outra página. É uma espécie de divisão que fiz, como se fosse um sub blog.

Lá no FutCétera o assunto vai ser futebol e, eventualmente, alguma outra coisa sobre esporte. Resolvi fazer isso porque não queria "contaminar" esse blog com excesso desse tema.

Passa lá!

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vendo Astra

Já que o blog é meu e não pago para anunciar, vou aproveitar.

Astra CD Hatch
> Ano 2003
> 65 mil Km
> Quatro portas
> Direção hidráulica
> Volante com regulagem de altura e profundidade
> Banco do motorista com regulagem de altura
> Ar condicionado digital
> Vidros, espelhos e travas elétricas
> Airbag
> Alarme
> Som Pioneer com CD, MP3 e Bluetooth (entrada USB e cartão SD)

Clica na foto para ampliar

Interessado?
Manda e-mail para vinnyperaca@gmail.com


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Problemas com as teles? Liga pra Anatel!

Todos - você, eu, a mãe do Badanha - já nos incomodamos pelo menos uma vez com operadoras de telefonia, TV a cabo ou Internet.

Existe uma série de expedientes conhecidos usados pelas empresas para nos enrolar toda vez que precisamos ligar para cancelar uma linha ou reclamar de um serviço. Ou afirmam que sua solicitação não pode ser atendida por algum motivo absolutamente obscuro e mal explicado; ou transferem a ligação para 154 setores responsáveis que não conseguem resolver a solicitação; ou o sistema está fora do ar e você deve ligar em alguns minutos novamente; ou, essa a melhor de todas, simplesmente desligam na sua cara. Isso quando não ocorre a união de duas ou mais artimanhas dessas na mesma ligação.

Pois bem, já perdi as contas de quantas vezes perdi a paciência com tais contratempos. Até que um dia resolvi levar a sério uma recomendação que é feita pelo governo para casos de insatisfação com o serviço ou atendimento das teles: acionar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) através do telefone 1331. E deu resultado. Em todas as vezes que liguei para reclamar, que não foram poucas.

Sob pressão da Anatel, operadoras não só resolvem como, às vezes,
fazem um "carinho" no cliente

Já registrei queixa de operadora de Internet (3G e banda larga residencial), operadora de celular e TV a cabo. Coincidentemente, sempre tive meus pedidos atendidos e, em alguns casos, como "pedido de desculpas" ainda ganhei alguns pequenos benefícios.

O caso mais recente foi o da GVT TV. Recebi uma correspondência da operadora oferecendo os serviços. Interessado, cancelei a TV por assinatura que tinha naquele momento e liguei para a GVT para contratar o pacote de TV, Internet e telefonia. Porém, fiz uma ponderação: não tenho sequer aparelho de telefone  fixo em casa, não uso. Portanto, queria um pacote que excluísse cobrança de tal serviço, visto que não usaria.

Depois de conhecer as opções disponíveis de pacote, fechei com o atendente pelo valor de R$ 209 (R$ 129 da TV e R$ 80 da Internet. Pelo telefone fixo não seria cobrada qualquer franquia, somente caso eu viesse a usar o serviço).

Mas para minha surpresa, a conta de março veio com um valor de R$ 244 (R$ 35 acima do contratado). O motivo? Franquia do telefone fixo!

Liguei para reclamar e a atendente - muito educada e atenciosa, por sinal - disse que não havia possibilidade de eu ter um pacote com o valor de R$ 209, que possivelmente houve um erro na hora de contratar o serviço. Contrapus apresentando o número do protocolo, o horário e o nome do atendente do dia em que liguei para contratar (sim, sempre tenho o cuidado de anotar tudo isso) e a lembrei de que todo o diálogo havia sido gravado, conforme a própria operadora alerta no momento do contato. Não adiantou.

Acredite, em até cinco dias a solução aparece como mágica

Liguei para a Anatel e registrei a reclamação formal. Como de praxe, deram cinco dias úteis para que a operadora entrasse em contato comigo para solucionar o impasse. Três dias depois, recebi a esperada ligação. O resultado é que a cobrança indevida - antes impossível de ser corrigida - não só foi retirada como também ganhei um desconto "para compensar pelos transtornos". De R$ 209, minha fatura mensal será reduzida para R$ 193.

Pode parecer besteira, mas o fato é que se tivesse me conformado com a primeira explicação da GVT e não tivesse acionado a Anatel, estaria pagando R$ 244 por mês. Em um ano, daria de presente à operadora R$ 420 a mais do que o combinado no momento da assinatura. por ter buscado meus direitos, não só deixei de rasgar toda essa grana como vou poupar em 12 meses R$ 192.

Por isso sempre que vejo alguém choramingando por problemas com as teles, recomendo fortemente ligar para a Anatel. Infelizmente, é o único jeito de ter uma solução.


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domingo, 1 de abril de 2012

Quando o personagem é a notícia

A Zero Hora deste domingo (dia 1º) traz em sua página 6 uma matéria que, se não causa o mesmo impacto de uma denúncia de corrupção ou crime violento ou fato esportivo, merece ser lida por dizer muito sobre um personagem sem que grandes produções fossem necessárias para isso.

O repórter Fábio Schaffner acompanhou em Brasília a rotina de um dia de trabalho do deputado federal Marco Maia (PT-RS). Mas não um dia qualquer. Seguiu os passos do presidente da Câmara em um dos três dias em que foi elevado ao cargo de Presidente da República - devido a viagens oficiais da presidente Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer, Maia assumiu o posto entre os dias 26 e 28 de março.

O resultado é uma matéria ("Presidente por três dias") que não tem qualquer grande fato, pelo menos não conforme estamos acostumados a ler com mais frequência. Ou seja, nenhum anúncio oficial ou escândalo. A notícia, neste caso, é o comportamento do homem que ocupou o principal posto do país durante alguns dias.  O que mostra coisas interessantes. Vale a pena ler. Abaixo, um trechinho:

* * *

"Embora tenha evitado sentar-se na cadeira de Dilma, a informalidade do petista irritou a equipe palaciana. No dia anterior, ele já havia quebrado o protocolo ao receber manifestantes em greve de fome que haviam se acorrentado em frente ao Planalto.

– Aqui, calado o cara já está sem razão. Imagina falando – desabafou um auxiliar de Dilma, constrangido com a movimentação atípica na antessala presidencial.

A impaciência aumentou no fim da tarde, quando convocou uma entrevista coletiva. Em 15 meses de governo, Dilma jamais havia tomado iniciativa semelhante. Nas viagens da presidente, Temer nem sequer cogitara ocupar o gabinete presidencial, quanto mais chamar a imprensa.

– O que ele vai anunciar? Que o Diário Oficial de amanhã vai trazer a independência do Rio Grande do Sul? – ironizou um repórter."


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